“A malignidade é gerada pela
perversidade da pessoa egoísta e psicopata” – SENSITIVISTA.
Nero – O louco
Atear fogo numa cidade para reconstruí-la conforme sua vontade pelo
prazer de ver as pessoas ardendo, se agonizando com seu veneno, criando seu
inferno particular, tudo para mostrar pro povo cristão que o capeta que está em
seu corpo é mais forte e mais poderoso, é um sinal de complexo de
inferioridade.
Joãozito do Machado Grande é um desses espíritos. Ele engana até o Papa,
dando postes para a igreja. O seu demônio não pode ser descoberto ou revelado.
Como as pessoas vão confiar em tão figura ilustre no seu dinheiro, sabendo da
sua perversidade? Ele é analfabeto, mas não é burro.
A transportadora se foi com a separação, junto um monte de falcatruas e
sonegações. Depois, a dor de ter perdido a filha por um vendedor de disco. Dom
Quixote, seu escudeiro nos negócios e na bebida, ouvia-lhe suas lamentações:
- Edí, ela vai se arrepender! Um vendedor de disco?
- Mas, ela se apaixonou. Perdoe-a.
- Edí, precisamos se livrar da Vera. Eu quero só você no escritório.
- Mas, ela te acompanha há 18 anos!
- Minha filha não gostava dela.
Dom Quixote ficou desnorteado, pois era amigo da Vera. Ele tentou
avisá-la, pois além dela ser secretária, era também amante. Não entendia
direito o motivo tão repentino dele querer estar livre da moça, ainda mais,
depois da fuga da filha pro Sul. (será que não estava com algum peso na
consciência em relação à filha? Dela ter visto, muitas vezes, os dois em atos
calorosos, ou, até então, pelos vários abortos que obrigou a Vera fazer?).
Dom Quixote ficava muito triste e revoltado com a postura do Imperador
em relação à Vera. Eram muitas humilhações e ameaças, como se tivesse a
culpando da fuga da filha. A Vera chorava. Dizia que tinha jogado sua vida
fora; na lata do lixo. Não agüentava mais aquela situação.
Dom Quixote ficou no meio do fogo cruzado. Pediu as contas e foi embora.
Já tinha visto muitas brigas, espancamentos e humilhações na sua infância, e
não queria conviver com aquela situação ultrajante nos seus poucos 18 anos. Ele
começou a trabalhar com 13 anos de idade em padaria, depois, como Office-boy na
Jato Cret, foi bancário no antigo Sul Brasileiro. Com 16 anos foi morar sozinho
em pensão em São Paulo, onde conheceu o Imperador. O Banco onde trabalhava foi
roubado pelos militares na época da abertura democrática, durante o governo Figueiredo.
Várias outras instituições, como o Habitasul, Comind, etc, foram vítimas da
queda da ditadura. O Imperador, através de Dª Célia – dona da pensão,
ofereceu-lhe trabalho, e, já que o Banco estava para decretar falência, acabou
aceitando. Foi a pior burrada de sua vida, pois alguns meses depois, o Banco
foi estatizado pelo governo com o nome de Meridional.
Dom Quixote, mesmo depois de ter pedido demissão pro Imperador, não
deixou de ter amizade com a Vera. Ele era seu confidente. Ficou sabendo de muitas
coisas do Imperador que fazia até inveja ao Satanás. Com sua mania de querer
consertar o Mundo, Dom Quixote dava conselhos para a Vera se afastar. Ela
poderia está até correndo risco de vida por saber de tantos segredos
comprometedores.
A Vera começou um relacionamento com o Luizinho que era amigo do Dom
Quixote lá da pensão. Ela ficou fascinada por ele. Até parecia que nunca tinha
amado ainda. O Imperador assim que soube, quis morrer. Bateu na Vera, e quis
matar o Luizinho. Houve até perseguição de carro na Lapa. O Luizinho com seu
passat e o Imperador com um scort. Não sei como não houve morte, parecia coisa
de cinema. O Imperador ficou tão louco que mostrou a arma ameaçando a família
do Luizinho. Fez o rapaz perder o emprego no Banco, e amassou seu carro quando
estava estacionado na vaga do apê da Vera, com uma pick-up D-20.
O Luizinho, depois de alguns anos mais tarde, morreu de forma muito
estranha. Ele tinha um restaurante no Jaguaré que servia mais de 100 refeições
por dia. Houve uma ocasião que um freguês se desentendeu com seu sobrinho à
toa, e sacou de uma arma. O Luizinho para lhe salvar se pôs na frente, foi
quando o maldito atirou. O Luizinho não tinha inimigos. Era como um irmão para
o Dom Quixote. Existem muitos paus mandados, não sei se este foi o caso. Mas a
suspeita é grande.
O Imperador maldito, quando tinha a transportadora, conseguia as
licitações na antiga Light fraudando a concorrência junto a um funcionário
corrupto que manipulava os preços dos concorrentes. Quando o cabrito berrou e a
polícia federal deu encima, arrumou um jeito de dar fim no cara, queima de
arquivo.
Na sua separação deu o maior golpe. Fez a coitada da mulher que era meia analfabeta assinar papel em branco pra ficar com a guarda das crianças e abrir mão da metade do patrimônio. Alegou que era corneado por ela. Que na verdade, quem não valia nada era ele, um psicopata que precisava se tratar. Violentou e abusou dos filhos, que se tornaram pessoas problemáticas. Três moças e um rapaz que ficaram no poder de um monstro que destruiu a vida deles e de muitas pessoas.