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FILOSOFIA

MESPR - MOVIMENTO DE EVOLUÇÃO SOCIAL, POLÍTICO E RELIGIOSO

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Fantasmas Famintos

Edivaldo Nascimento – Éd Alemão

Quando arrancaram o coração do padre pelas costas com o machado formaram muitos fantasmas famintos por dignidade.
As guerras religiosas no nordeste do Brasil na época da colonização foram de tal forma tão desgraçadas que resultou numa criação de povos fanáticos e temerosos como na própria inquisição na Europa.
Primeiro tramaram contra os índios cariris, espalhando intriga e cobiça entre as aldeias. Como os portugueses estavam em menor número e a quantidade de índios era enorme, então promoveram batalhas entre as tribos para se matarem como fizeram e ainda fazem, até hoje, na África.
Quando já tinha reduzido bastante a quantidade de índios, veio a ordem do rei de Portugal: “deixem só as mulheres e as crianças vivas”. Agora, imaginem vocês, quantas mulheres tinham para cada português? Quantos irmãos casaram com irmãos sem saber? A ciência já comprovou várias doenças causadas por casamentos com primos, quanto mais com irmãos. Talvez seja esta a resposta de tantos adultos que não conseguem passar do ensino fundamental, e muitos com retardamento mental em vários níveis. Passando desta etapa veio à catequização da igreja católica para destruir definitivamente a cultura indígena impondo a cultura do dominador. Algo que deve se repetir da mesma forma quando os alienígenas chegarem aqui, escravidão e morte com a destruição de nossa cultura. Vale lembrar que temos em nossa atualidade na África e Ásia, povos religiosos destruindo monumentos da humanidade como templos, esfinges e pirâmides. Um grande absurdo.
Depois vieram os holandeses calvinistas e conquistaram o Nordeste dominando os portugueses. Eles eram os financiadores dos engenhos de açúcar, e Portugal quis dar um golpe de não pagar a dívida contraída com eles depois que a Espanha assumiu seu governo. Chegaram os holandeses com fúria. Nos vilarejos, juntavam as pessoas dentro da igreja, trancava a porta e ateava fogo. Quando não as decepava antes. Como foi o caso do padre que teve o coração arrancado pelas costas com o machado. Eles nomeiam-se como evangélicos, porque traduziram a Bíblia, mas a católica os denominam protestantes.
O ódio que se tinha pela católica era o ódio da vingança dos seus entes queridos queimados pela inquisição. O próprio padre Lutero escapou da morte quando se revoltou contra o Vaticano, porque os príncipes alemães o salvaram. A ordem do Papa foi para matar. Nisso vai se repetindo a história de Jesus. Quando o sumo sacerdote judeu pediu para os romanos o condenarem por blasfêmia e tumulto da ordem, bagunçando a fé judaica, querendo até mudar a Bíblia.
Jesus falou que aquela Bíblia era um choro, um grande lamento, um desabafo de um povo oprimido pelos dominadores (mesopotâmia, persas, egípcios, romanos), e como todo ser humano chora, os hebreus choraram e praguejaram contra os fariseus no Torá (Velho Testamento), vale lembrar-se das pragas de Moisés no Egito para libertar seu povo.
Por isso que todo mundo ouvia Jesus. O povo queria parar de chorar e pegar nas armas. Mas Jesus não era de violência. No seu pensamento achava que era possível tocar no coração do dominador. Algo impossível até hoje. Porque o Deus do homem branco falhou em pôr tanta ambição em seu espírito. Os imperadores da época como nossos governantes de hoje em dia, só pensam em construir fortunas. E, nisso o povo acabou escolhendo Barrabás, condenando Cristo.
Continuando sobre a história do nordeste. Passaram aproximadamente 20 anos do domínio holandês e da igreja protestante, quando os portugueses católicos conseguiram recuperar a região de novo, e expulsaram definitivamente os holandeses em 1654. Mas, em contrapartida, os holandeses já estavam se instalando nas Antilhas. E, como eram os detentores de toda a tecnologia de fabricação do açúcar, dominaram o mercado rapidinho, vindo a falir todo o comércio de açúcar do nordeste para a Europa. Pois o açúcar holandês além de ser melhor era mais barato.
A região nordestina veio a se sucumbir, deixando um rastro enorme de destruição humana, tanto materialmente como espiritualmente. Onde até hoje é uma das regiões mais violentas do Brasil. Vale lembrar-se de Lampião e do cangaço. Onde tiveram suas cabeças expostas em postes como título de poder da tirania. Canudos na Bahia com Antonio Conselheiro foi o maior crime governamental até hoje. Mais de 5.000 casas foram incendiadas pelo exército.
Minha avó paterna era índia cariri. Até hoje me lembro do seu olhar longínquo querendo esconder tantas desgraças que viu na vida. Ela nasceu aproximadamente em 1900, seu pai em 1875 e seu avô em 1850. Sendo que só tinham passado 137 anos do nascimento de seu avô, uma geração, do massacre final da derrota da confederação dos cariris em 1713.
Quando os portugueses expulsaram os holandeses e avançaram em direção ao interior nordestino expandindo as fazendas de gado, tiveram com surpresa a resistência dos índios cariris que tinham sido aliados dos holandeses. Na qual houve muitas batalhas violentas.
Esse avanço português se tornava sinônimo de massacre dos nativos, escravização dos sobreviventes, violência sexual e usurpação das terras indígenas. Não menos nefasta foi a ação dos missionários que lhe destruíram sua cultura de mais de 5.000 anos, roubaram suas terras e mataram suas famílias.
Isso tudo porque os índios eram presas fáceis com arco e flecha contra bala de canhão. Coisa parecida com Hitler que não conseguiu inventar a bomba atômica primeiro. Ao qual os americanos não se intimidaram em jogar logo duas no Japão matando milhares de pessoas.
E na busca da sua liberdade, uma tribo de negros africanos foram capturados para serem escravos nos Estados Unidos quase perto do fim da escravidão. Conseguiram escapar das correntes no porão do navio e mataram toda a tripulação. Tentaram mudar a rota do navio para sua casa, a África, só que acabaram chegando aos EUAs e foram presos. Um pastor protestante contratou um advogado para defendê-los nos tribunais, já que fizeram isso para se salvarem. Conseguiram ganhar na 1ª instância e fizeram a festa no presídio, dançando e cantando conforme sua cultura. O pastor indignado tentou intervir porque aquilo não era forma de agradecer a Deus. O advogado muito sábio impediu do pastor falar alguma coisa, e explicou: “eles não conhecem a nossa cultura, não sabem quem foi Jesus, nem ao menos falam a nossa língua”. E, por mais, foi a nossa cultura que os aprisionaram sem eles fazerem nada, para explorá-los na escravidão. Não seria pelo fato de que ganharam na justiça a liberdade através da cultura cristã, que teriam que agradecer ou adorar a este Deus que eles nem conhecem, que foi o mesmo Deus que tiraram eles de suas terras e de suas famílias. Assistam ao filme: Amstad, baseado em fato real, de Steven Spielberg. Absolutamente inesquecível. Foi o acontecimento que ocasionou a guerra civil americana.
È por isso que se deveriam acabar as religiões. Fazer das igrejas centros de danças, músicas e artes. Escrever uma nova Bíblia com as grandezas maravilhosas que se podem conseguir agindo correto e sem discriminações ou preconceitos. E, sempre lembrar, que antes de qualquer religião já existia a ética e a moral. Portanto pra você ser ético não é unicamente necessário ser religioso.
A religião sempre foi uma grande arma de manipulação de massas dos governos. Se fosse algo bom teria evitado a 2ª guerra mundial. Os judeus naquela época, em suas sinagogas na Alemanha, se tivessem tido um bom senso, tinham pregado cultos voltado para a distribuição de renda e o fim da discriminação cristã. Tinham dado mais oportunidades de trabalho aos alemães que estavam passando fome na sua própria terra, sendo que estrangeiros como os judeus estavam os explorando. Tinham desta forma evitado a guerra e a carnificina do holocausto maldito de 5 milhões de judeus mortos em campos de concentração. E, o mesmo ocorre hoje em dia aqui no Brasil. O estrangeiro se apoderou de nossa economia, e os brasileiros estão passando fome.

VEJAM
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Vida pós- morte

SPOTLIGHT – Segredos Revelados (FILME) 

Drama. Baseado em uma história real, o drama mostra um grupo de jornalistas em Boston que reúne milhares de documentos capazes de provar diversos casos de abuso de crianças, causados por padres católicos.



Massacre Religioso

Massacre de Cunhaú – Montanhas/Pedro Velho/Canguaretama – RN

O primeiro engenho construído no Rio Grande do Norte foi palco de uma grande chacina, uma das mais trágicas da história do Brasil. No ano de 1645, o estado do Rio Grande (católico) era dominado pelos holandeses (calvinistas). Os holandeses eram calvinistas e teriam promovido o massacre por intolerância ao catolicismo devido as mortes causadas pela inquisição católica na Europa.
Jacob Rabbi, um alemão a serviço do governo holandês, chegou ao engenho de Cunhaú no dia 15 de julho de 1645, mas já era conhecido pelos moradores, pois havia passado por lá anteriormente, sempre escoltado pelas tropas dos índios Tapuias e deixando ódio e destruição por todos os lugares pelos quais passava. Nesse dia, veio com mais força. Além dos Tapuias, trazia alguns potiguares e soldados holandeses. Era Domingo, dia 16 de julhode 1645, como de costume os fiéis reuniram-se para celebrar a Eucaristia, foram à missa na Igreja de Nossa Senhora das Candeias, município de Canguaretama, mas Jacob Rabbi havia fixado um edital na porta da igreja: após a missa, haveria ordens do governo holandês. O párocoPadre André de Soveral, começa a missa e depois do momento da elevação do Corpo e Sangue de Cristo, as portas da Capela foram fechadas com 69 fiés dentro, e deu-se início às cenas de violência, intolerância e atrocidade.
Em 03 de Outubro de 1645, três meses depois do massacre de Cunhaú, aconteceu outro desta vez em Uruaçú, este também a mando de Jacob Rabbi. Dizem os Cronistas que, logo após o primeiro massacre, o medo se espalhou pela Capitania e por outras capitanias, a população ficou receosa, pois, tinha medo que novos ataques acontecessem, o que não demorou muito. Foram cenas idênticas, apesar que neste massacre as tropas usaram mais crueldade. Depois da elevação, fecharam as portas da igreja e os mataram ferozmente, arrancaram suas línguas para não proferirem orações católicas, braços e pernas foram decepados, crianças foram partidas ao meio e grande parte dos corpos foram degolados. O Celebrante, Padre Ambrósio Francisco Ferro mesmo vivo foi muito torturado. O camponês Mateus Moreira, teve seu coração arrancado pelas costas.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Sócrates


O pensamento do filósofo grego Sócrates (469-399 a.C.) marca uma reviravolta na história humana. Até então, a filosofia procurava explicar o mundo baseada na observação das forças da natureza. Com Sócrates, o ser humano voltou-se para si mesmo. Como diria mais tarde o pensador romano Cícero, coube ao grego "trazer a filosofia do céu para a terra" e concentrá-la no homem e em sua alma (em grego, a psique). A preocupação de Sócrates era levar as pessoas, por meio do autoconhecimento, à sabedoria e à prática do bem.

Nessa empreitada de colocar a filosofia a serviço da formação do ser humano, Sócrates não estava sozinho. Pensadores sofistas, os educadores profissionais da época, igualmente se voltavam para o homem, mas com um objetivo mais imediato: formar as elites dirigentes. Isso significava transmitir aos jovens não o valor e o método da investigação, mas um saber enciclopédico, além de desenvolver sua eloqüência, que era a principal habilidade esperada de um político.

Sócrates concebia o homem como um composto de dois princípios, alma (ou espírito) e corpo. De seu pensamento surgiram duas vertentes da filosofia que, em linhas gerais, podem ser consideradas como as grandes tendências do pensamento ocidental. Uma é a idealista, que partiu de Platão (427-347 a.C.), seguidor de Sócrates. Ao distinguir o mundo concreto do mundo das idéias, deu a estas status de realidade; e a outra é a realista, partindo de Aristóteles (384-322 a.C.), discípulo de Platão que submeteu as idéias, às quais se chega pelo espírito, ao mundo real.


Ensino pelo diálogo
Nas palavras atribuídas a Sócrates por Platão na obra Apologia de Sócrates, o filósofo ateniense considerava sua missão "andar por aí (nas ruas, praças e ginásios, que eram as escolas atenienses de atletismo), persuadindo jovens e velhos a não se preocuparem tanto, nem em primeiro lugar, com o corpo ou com a fortuna, mas antes com a perfeição da alma".

Defensor do diálogo como método de educação, Sócrates considerava muito importante o contato direto com os interlocutores - o que é uma das possíveis razões para o fato de não ter deixado nenhum texto escrito. Suas idéias foram recolhidas principalmente por Platão, que as sistematizou, e por outros filósofos que conviveram com ele.

Sócrates se fazia acompanhar frequentemente por jovens, alguns pertencentes às mais ilustres e ricas famílias de Atenas. Para Sócrates, ninguém adquire a capacidade de conduzir-se, e muito menos de conduzir os demais, se não possuir a capacidade de autodomínio. Depois dele, a noção de controle pessoal se transformou em um tema central da ética e da filosofia moral. Também se formou aí o conceito de liberdade interior: livre é o homem que não se deixa escravizar pelos próprios apetites e segue os princípios que, por intermédio da educação, afloram de seu interior.

Opondo-se ao relativismo de muitos sofistas, para os quais a verdade e a prática da virtude dependiam de circunstâncias, Sócrates valorizava acima de tudo a verdade e as virtudes - fossem elas individuais, como a coragem e a temperança, ou sociais, como a cooperação e a amizade. O pensador afirmava, no entanto, que só o conhecimento (ou seja, o saber, e não simples informações isoladas) conduz à prática da virtude em si mesma, que tem caráter uno e indivisível.

Segundo Sócrates, só age erradamente quem desconhece a verdade e, por extensão, o bem. A busca do saber é o caminho para a perfeição humana, dizia, introduzindo na história do pensamento a discussão sobre a finalidade da vida.

O despertar do espírito
O papel do educador é, então, o de ajudar o discípulo a caminhar nesse sentido, despertando sua cooperação para que ele consiga por si próprio "iluminar" sua inteligência e sua consciência. Assim, o verdadeiro mestre não é um provedor de conhecimentos, mas alguém que desperta os espíritos. Ele deve, segundo Sócrates, admitir a reciprocidade ao exercer sua função iluminadora, permitindo que os alunos contestem seus argumentos da mesma forma que contesta os argumentos dos alunos. Para o filósofo, só a troca de idéias dá liberdade ao pensamento e a sua expressão - condições imprescindíveis para o aperfeiçoamento do ser humano.

O nascimento das ideias, segundo o filósofo 
Sócrates comparava sua função com a profissão de sua mãe, parteira - que não dá à luz a criança, apenas auxilia a parturiente. "O diálogo socrático tinha dois momentos", diz Carlos Roberto Jamil Cury, professor aposentado da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

O primeiro corresponderia às "dores do parto", momento em que o filósofo, partindo da premissa de que nada sabia, levava o interlocutor a apresentar suas opiniões. Em seguida, fazia-o perceber as próprias contradições ou ignorância para que procedesse a uma depuração intelectual. Mas só a depuração não levava à verdade - chegar a ela constituía a segunda parte do processo. Aí, ocorria o "parto das idéias" (expresso pela palavra maiêutica), momento de reconstrução do conceito, em que o próprio interlocutor ia "polindo" as noções até chegar ao conceito verdadeiro por aproximações sucessivas. O processo de formar o indivíduo para ser cidadão e sábio devia começar pela educação do corpo, que permite controlar o físico.

Já para a educação do espírito, Sócrates colocava em segundo plano os estudos científicos, por considerar que se baseavam em princípios mutáveis. Inspirado no aforismo "conhece-te a ti mesmo", do templo de Delfos, julgava mais importante os princípios universais, porque seriam eles que conduziriam à investigação das coisas humanas.

Biografia
Sócrates nasceu em Atenas por volta de 469 a.C. Adquiriu a cultura tradicional dos jovens atenienses, aprendendo música, ginástica e gramática. Lutou nas guerras contra Esparta (432 a.C.) e Tebas (424 a.C.).

Durante o apogeu de Atenas, onde se instalou a primeira democracia da história, conviveu com intelectuais, artistas, aristocratas e políticos. Convenceu-se de sua missão de mestre por volta dos 38 anos, depois que seu amigo Querofonte, em visita ao templo de Apolo, em Delfos, ouviu do oráculo que Sócrates era "o mais sábio dos homens". Deduzindo que sua sabedoria só podia ser resultado da percepção da própria ignorância, passou a dialogar com as pessoas que se dispusessem a procurar a verdade e o bem.

Em meio ao desmoronamento do império ateniense e à guerra civil interna, quando já era septuagenário, Sócrates foi acusado de desrespeitar os deuses do Estado e de corromper os jovens. Julgado e condenado à morte por envenenamento, ele se recusou a fugir ou a renegar suas convicções para salvar a vida. Ingeriu cicuta e morreu rodeado por seus amigos, em 399 a.C

Contexto histórico: Atenas, capital da democracia e do saber
Sob o governo de Péricles (499-429 a.C.), a cidade-estado de Atenas, vitoriosa na guerra contra os persas e enriquecida pelo comércio marítimo, tornou-se o centro cultural do mundo grego, para o qual convergiam os talentos de toda parte.

Fídias, o arquiteto e escultor que dirigiu as obras do Partenon, o maior templo da Acrópole, os dramaturgos Sófocles, Ésquilo, Eurípedes e Aristófanes e o orador Demóstenes são nomes dessa época.

O regime democrático ateniense - restrito aos cidadãos livres, deixando de fora estrangeiros e escravos - foi fortalecido por reformas que limitaram os poderes da burguesia rica e ampliaram os da assembléia e do júri popular. A educação artística do povo foi estimulada pela exibição de obras de arte em locais públicos e pelas representações teatrais.


Para pensar
Ao eleger o diálogo como método de investigação, Sócrates foi o primeiro filósofo a se preocupar não só com a verdade, mas com o modo como se pode chegar a ela. Eis por que ele é considerado por muitos o modelo clássico de professor. Quando você prepara suas aulas, costuma levar em conta a necessidade de ajudar seus alunos a desenvolver procedimentos para que possam pensar por si mesmos? Quer saber mais?

História da Educação na Antigüidade, Henri-Irénée Marrou, 656 págs., Ed. EPU, tel. (11) 3168-6077, 135 reais 
Paidéia - A Formação do Homem Grego, Werner Jaeger, 1413 págs., Ed. Martins Fontes, tel. (11) 3241-3677, 101,40 reais 
Sócrates, coleção Os Pensadores, Ed. Nova Cultural, tel. (11) 3039-0900 (edição esgotada) 
Sócrates, Rodolfo Mondolfo, Ed. Mestre Jou (edição esgotada) 


VEJAM

Cracolândia – www.ed10alemao.wordpress.com

terça-feira, 13 de junho de 2017

O Maior Estupro

“O maior estupro foi feito por Gilmar Mendes”, diz vítima de Abdelmassih
Vítimas do médico estuprador Roger Abdelmassih não perdoam Gilmar Mendes e devem representar contra o ministro do STF na Corte Internacional

Algumas das mulheres estupradas pelo médico Roger Abdelmassih, preso no Paraguai, devem representar contra Gilmar Mendes na Corte Internacional.
Uma delas, ao recebê-lo no aeroporto, avisou, dirigindo-se às câmeras de TV: “Não tem ministro que vai tirar você daqui”. Abdelmassih foi condenado a 278 anos de prisão pela Justiça criminal de São Paulo em novembro de 2010, acusado de 52 estupros de suas próprias clientes. Estava detido.
Gilmar, então presidente do STF, entendeu que ele deveria recorrer em liberdade da sentença porque não representava perigo. Já tinha o registro cassado, não podia mais exercer a profissão e, portanto, não teria como continuar cometendo o crime. No início de 2011, Abdelmassih era um foragido.
Gilmar é o mesmo que considerou “estranho” o episódio das doações feitas para pagar multas dos réus do mensalão. “Imagino que os militantes se disponham a cumprir alguns dias nos presídios”, disse, em resposta a uma carta de Suplicy.
Em matéria de estranheza, ele possui antecedentes. Concedeu habeas corpus a Daniel Dantas, preso pela Polícia Federal no caso Satiagraha em 2008. Fez o mesmo com Cristina Maris Meinick Ribeiro, condenada por sumir com o processo de sonegação fiscal da Receita Federal contra a Globo.
Em maio de 2010, o habeas corpus de Abdelmassih fora negado pela ministra Ellen Gracie. Gilmar, porém, cravou que não havia elementos “concretos e individualizados, aptos a demonstrar a necessidade da prisão cautelar do ora paciente”.


A escritora Teresa Cordioli, vítima do médico nos anos 70, não perdoa o juiz. “O maior estupro foi feito pelo Gilmar Mendes, que o soltou. Aí nós criamos mais força na busca”, disse.
Gilmar nunca se manifestou sobre o episódio Roger Abdelmassih.


COMENTÁRIOS
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Desconsiderando o efeito canalhice, o que pesa de fato contra os juízes brasileiros é o famoso termo "falta de bom senso". O juiz estuda 40 anos a ciência do Direito e deixa de lado a coisa mais importante, que até os analfabetos possuem às vezes, que é o bom senso. O sujeito é condenado a 278 anos de prisão. Não tem relaxamento de pena que livre o mesmo da prisão perpétua, é óbvio que ele vai dar no pé. Cadê o bom senso dum juiz desse?


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Só de pensar que é este tipo de pessoa que representa a "casta" do sistema jurídico brasileiro, me dá "asco".

Depois vem alguém querendo defender a idéia de que uma outra revolução no Brasil é retrocesso democrático.

PENSEMOS :
1- O escândalo da mandioca deu no quê ?
2- Que notícia se tem acerca do escândalo dos "anões do orçamento" ?
3- Por qual motivo não se consegue barrar a entrada de armas e drogas nas fronteiras do país ?
4- Alguém consegue me responder qual é a razão pela qual os governos dão prioridade à contratação de trabalhadores de ONGs e demais cooperativas para ocupar cargos que são típicos "de carreira", como por exemplo o pessoal da área de saúde, em detrimento à contratação de pessoas aprovadas nos concursos públicos ?
5- Qual é a verdadeira razão pela qual o Ministro aposentado JOAQUIM BARBOSA abdicou de seu direito de permanecer no serviço ativo até completar seus 70 anos de idade em um cargo que lhe garantia a permanência por mais 10 anos ? Vontade própria pu ameaças de morte contra ele e de seus familiares. O povo aumenta mas não inventa !
6- Por qual razão SERGIO CABRAL optou por contratar serviço terceirizado de aluguel de veículos para dar atendimento à Polícia Militar do Rio de Janeiro, se é público e notório que este tipo de despesa é má gestão do dinheiro público, pois o quanto se gasta com este tipo de serviço ao longo de 2 ou 3 anos daria para a compra e conservação de toda a frota ?
7- Tem gente morrendo na fila de atendimento do INTO (para quem não sabe é o Instituto Nacional de Traumato ORTOPEDIA), enquanto o governo federal gastou bilhões e bilhões de reais em obras faraônicas para a copa do mundo.
8- Não cabe na cabeça de ninguém que a compra da refinaria de Pasadena no Texas (EUA) pelo preço que foi pago, foi realizada com absoluta isenção de interesses pessoais.
9- Até hoje não se tem notícia do que teria sido feito para penalizar os políticos que roubam o dinheiro público, como os mais diversos escândalos que se teve notícia. Querem que eu enumere ? ................Não será possível pois neste espaço que me reservam não caberia todo o rosário do que eu nestes meus 62 anos de idade já assisti !
10- É bom parar por aqui, pois se não os leitores não terão paciência de lerem tudo o que eu tenho para escrever e demonstrar QUE SÓ MESMO UMA OUTRA REVOLUÇÃO VAI DAR SOLUÇÃO NESTE PAÍS.

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Faltou só perguntar se precisa desenhar ou consegue entender. Desde a "descoberta" em 1500 não tivemos um governo que pensasse no bem do país. Veja os exemplos de Austrália, Nova Zelândia, Cingapura entre outros que colonizados por europeus, principalmente ingleses, desenvolveram a olhos vistos. Já nós que tivemos a sorte de sermos colonizados, assim como os africanos e parte da Índia, pelos portugueses ficamos a admirar a natureza e esperar o "bonde" passar.


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O Brasil é uma panela de pressão no limite, e as válvulas de escape tradicionais (carnaval, futebol, drogas) já não estão mais dando conta.
Teremos mais protestos. É uma certeza lógica.

Gilmar Mendes           Roger Abdelmassih


Fui estuprada e imaginei que a culpa fosse minha

Aos 13 anos, eu não sabia que a culpa não era minha. Eu não sabia que eles deviam ser punidos. Fiquei com raiva e culpa. Só soube que a culpa não era minha e que a culpa nunca é da vítima muitos, muitos anos depois





Eu tinha 13 e era fã de Skid Row, Faith No More e Ramones. Pintava os cabelos de preto azulado, usava um piercing no nariz e era gamada num menino cujo apelido era Samurai.
Ele era mais velho, tinha uns 16, e não era da minha escola.
Tinha uma festa e seria na casa do tio de um colega.
Me arrumei toda linda & roqueira com aquele meu cabelo até a cintura e minha camiseta dos Ramones e fui. Cheguei e procurei Samurai de cara. Ele nunca tinha me dado bola, mas eu sabia que tinha crescido naquele ano e que ele talvez me notasse. Eu tinha até peitos! Vai que, né?
A casa tinha uma piscina e um bar lá atrás.
E foi pra lá que eu fui. Era onde estavam os meninos mais velhos, né? O que eu ia querer com os pirralhos da escola?
E foi lá que eu tomei minha primeira dose de uísque. E a segunda, e a terceira e outras.
E foi lá que eu finalmente consegui beijar o objeto do meu desejo, depois de tanto tempo.
E foi lá, no banheirinho da casa dos fundos ao lado da piscina, que eu fui estuprada.
Não foi o Samurai.
Mas os moços que lá estavam acharam que ora, se essa menina está bêbada e praticamente desacordada depois de vomitar muito, é claro que vamos passar a mão. Vamos levar pro banheiro. Vamos abusar e enfiar garrafas nela, porque ela não devia ter dado esse mole de beber tanto perto dos meninos mais velhos. Quem mandou dar mole?
Ainda me largaram de cara na pia e eu fiquei com o olho direito roxo.
Eu não sabia que a culpa não era minha. Eu não sabia que eles deviam ser punidos. FIquei com raiva e culpa. Mas não fiquei com vergonha.
Segunda-feira, quando cheguei na escola, a história tinha se espalhado. E sabe qual era a história?
A Clara é uma vagabunda e deu pra três no banheiro da festa.
TODA a escola estava falando isso, com exceção de uma garota mais velha, que me disse que eu não deveria ficar triste. Mas eu não estava triste, eu estava era achando todo mundo muito babaca e morrendo de raiva. Como é que essas pessoas estavam falando isso? Como é que elas podiam afirmar o que tinha acontecido? Por que ninguém me perguntou nada? Ora, era a Clara, a maluquinha, a filha de artista, a que não se importava com a opinião dos outros, devia ser verdade.
Esse foi o momento em que eu vi que o mundo era escroto. Esse foi o dia que eu lembro nitidamente de olhar pra toda aquela gente falando de mim no intervalo e pensar: NINGUÉM SABE NADA.
Com 13 anos eu fui estuprada.
Eu só falei pros meus pais anos depois porque achei que eles também me culpariam. Achei que eles ficariam putos comigo e que eu não poderia mais sair. Achei um monte de coisas erradas. A coisa mais errada disso tudo foi achar que a culpa tinha sido minha. Que eu não deveria ter bebido. Que eu não deveria ter ficado no meio desses caras. Que eu “ter peitos” e querer ser notada e parecer mais velha era parte do problema.
Eu só soube que a culpa não era minha muitos, muitos anos depois. Depois dos 15, depois dos 20, depois até dos 30.
Não vou entrar nos detalhes das sequelas emocionais que esse evento me deixou. Não vou contar de alguns traumas que tenho até hoje por causa de uns caras que muito provavelmente não têm sequer noção do que fizeram. Pode até ser que eles tenham família e filhos hoje, pode ser que lembrem disso como “uma menina bêbada que zoaram numa festa”, coisa de adolescente.
Isso aconteceu há 22 anos.
Nada mudou. Acho até que piorou. Se tivesse acontecido hoje, eles provavelmente teriam registrado e espalhado, como fizeram esses babacas em Pinhal, no mesmo Rio Grande do Sul onde nasci.
E o que esses babacas estão dizendo?
O ciclo sem fim de culpar a vítima. 74 pessoas curtiram isso.
Ela estava pedindo. Ela tinha bebido. Se ela foi para uma casa com uns caras é porque estava querendo.
Ainda não ensinaram os meninos a não estuprar. Ainda não ensinaram a eles que as mulheres não são corpos disponíveis. Ainda não ensinaram que quem cala não consente. Ainda não ensinaram que isso é crime.
Não, não são as meninas que têm que se cuidar porque “sabem como são os meninos” Não, isso não é instinto. Não, isso não é normal.
Isso é a nossa sociedade misógina punindo as mulheres desde cedo. “Tri de boa”, com outras meninas reproduzindo essa cultura nojenta de culpar a vítima, porque também não ensinaram a elas que pode acontecer a qualquer uma.
Isso tem que ter fim.
Contar a minha história depois de tanto tempo é romper com um silêncio que deveria ter sido rompido na época e que não deve persistir.
A culpa nunca, nunca, nunca, nunca, nunca é da vítima.

 

 

Comentários

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Jonas SchlesingerPOSTADO EM 21/AUG/2014 ÀS 10:38

Têm caras que não dão moleza não. O mais sensato para uma garota é não facilitar, o contrário que aconteceu com ela. Não quero defender quem comete isso, mas hoje em dia as meninas ficam "alegres" mais cedo. Com 11 anos já vemos que têm garotas querendo namorar, vestindo-se como periguete e desejando o namorado como um bando de lobas famintas prontas para comer o próximo naco de carne. A família hoje vai muito de mau a pior e os pais também têm responsabilidade principalmente quando se tem filha. Não há desculpa para que eles fizeram, mas ela facilitou e muito.

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GiselePOSTADO EM 21/AUG/2014 ÀS 11:28

Principalmente quando se tem uma filha?? A curiosidade sexual existe para ambos os gêneros, assim como o menino começa a se descobrir no banheiro, a menina também o faz. E não, não é principalmente quando se tem uma filha que há de ter responsabilidade sobre eles. E sim, nós, mulheres, sempre acabamos por achar que a culpa é nossa, porque é isso que essa sociedade machista dissemina, é isso que muitos alardeiam. Uma menina de 3, 4 anos também deve cuidar como se comporta? Como se veste? Como senta? Uma menina de 3, 4 anos ser abusada por um senhor de quase 60 anos, e a culpa é dela? Uma menina que aos 3, 4 anos foi abusada e continua achando que o erro foi dela? Não somos nós mulheres as erradas, as que se vestem de "periguete" para atiçar o imaginário masculino, até que eles avancem sobre nós como bichos, como nossos donos, nossos superiores. Afinal, eles cresceram ouvindo que a culpa é da mulher que usa roupa curta, roupa justa, blusa decotada. Então, caro Jonas, a responsabilidade é dos pais quando se tem filho homem também, a responsabilidade é dos pais de dizer para eles que eles não podem possuir através da força quem eles desejarem, porque as meninas não estão aí para servirem sexualmente os seus desejos mais sórdidos. E isso se ensina desde pequeno Jonas, para que não cheguem na idade adulta abusando de crianças, adolescentes, mulheres adultas, como se elas fossem as que provocam, as que "pedem" para serem estupradas.

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Marcos ViniciusPOSTADO EM 21/AUG/2014 ÀS 12:16

Tinha que aparecer um para justificar esse abuso em cima das mulheres. A culpa não é, nunca e nem será da mulher por ser estuprada. Se fosse por isso teríamos muitos estupros nas praias, afinal muitas estão "facilitando" não é? Sinceramente, eu e nem ninguém tem obrigação de respeitar essa sua "opinião"! E quanto à Gisele meus parabéns para a sua resposta!

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LauraPOSTADO EM 21/AUG/2014 ÀS 14:01

Fantástico Gisele!!! Eu sou mãe de um menino e sempre me preocupo em a educá-lo (embora ele ainda seja uma criança) para que se torne um homem de fato!! Essa atitude idiota, imbecil e animalesca de atacar mulheres é coisa de troglodita!! Homem que é homem só faz sexo com concessão, e uma CONCESSÃO CLARA!! Se a garota está bêbada o papel de um homem é levá-la para casa DELA em segurança!! Homens devem proteger e não ameaçar!!

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MárciaPOSTADO EM 21/AUG/2014 ÀS 11:35

Jonas Schlesinger, leia mais trinta vezes o artigo e tenha uma filha, ok.

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LoriPOSTADO EM 21/AUG/2014 ÀS 11:36

Jonas, so pra me ater ao "os pais também têm responsabilidade principalmente quando se tem filha". Na verdade, os pais tem muita responsabilidade quando se tem filhos em geral. Mas pais de meninos tem a obrigacao - antes de qualquer coisa - de ensinar seus filhos a nao estuprarem e agredirem mulheres, independente do que elas estejam vestindo ou como estejam se comportando. A nao ser que queiram ser pais de estupradores.



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Consciência

Fora corrupção.Vamos viver, pelo menos, com decência!!! A formação política dos chilenos, como de todos os hispano-americanos do começo do séc. XIX, era algo de uma ineficiência gritante. Quase que sem transição, viram-se esses povos donos de seus destinos, sem preparo para a difícil tarefa de governar. Surgiram à tona todas as AMBIÇÕES.